A esquistossomose (popularmente chamada de “barriga d’água”) é uma infecção causada por um verme microscópico que vive parte do ciclo na água doce e parte dentro do corpo humano. No Brasil, ela está ligada principalmente ao contato com rios, lagoas, açudes e represas onde existam caramujos que participam do ciclo de vida desse verme.
O apelido “barriga d’água” aparece porque, em casos mais avançados, a doença pode causar aumento do fígado e do baço e acúmulo de líquido no abdômen, deixando a barriga inchada. Isso não acontece da noite para o dia — geralmente é resultado de infecção não tratada por muito tempo.
Esquistossomose: como acontece o contágio (e por que o verão aumenta o risco)?
A esquistossomose não passa de pessoa para pessoa como gripe. O contágio costuma acontecer assim, de forma simples:
- Fezes de uma pessoa infectada chegam à água (o que é mais comum onde não há coleta e tratamento de esgoto).
- O parasita se desenvolve e, em certo momento, infecta caramujos específicos.
- Esses caramujos liberam formas muito pequenas do parasita na água, capazes de penetrar na pele de quem entra no local — mesmo sem feridas visíveis.
No verão, aumenta a chance de contato porque muita gente busca água doce para se refrescar, viaja para áreas rurais, faz trilhas e entra em córregos e cachoeiras. A regra é clara: água transparente não significa água segura.
Sintomas mais comuns e sinais de alerta
A esquistossomose pode começar sem sintomas. Quando aparecem, eles variam conforme o tempo de infecção e a quantidade de parasitas.
Nos primeiros dias ou semanas, algumas pessoas podem ter:
- coceira na pele após entrar na água (tipo “alergia”);
- febre, mal-estar, dor de cabeça;
- tosse seca;
- dor na barriga, diarreia.
Com o passar dos meses, o intestino e o fígado podem sofrer mais, e podem surgir:
- dor abdominal frequente;
- diarreia que vai e volta, às vezes com sangue;
- cansaço, perda de apetite, emagrecimento.
Sinais de alerta (procure atendimento rapidamente):
- barriga inchada e endurecida, com sensação de “peso”;
- vômitos com sangue ou fezes muito escuras;
- pele e olhos amarelados;
- fraqueza intensa e desmaios.
Esquistossomose: diagnóstico e como pedir ajuda
Se você entrou em água doce de risco e, dias depois, passou a ter sintomas, não é para “esperar melhorar”. Procure um médico e conte exatamente onde esteve e quando.
O diagnóstico costuma envolver exame de fezes (para procurar sinais do parasita). Em alguns casos, o profissional pode pedir exames de sangue e avaliação do fígado, principalmente se houver sinais de doença mais avançada. Em áreas endêmicas, a vigilância em saúde usa sistemas de monitoramento e busca ativa para identificar e tratar casos.
Importante: evite automedicação. Tomar remédio por conta própria pode atrasar o diagnóstico correto e a avaliação de possíveis complicações.
Tratamento, cura e acompanhamento da esquistossomose
A esquistossomose tem tratamento e, quando identificada cedo, as chances de cura são altas. O medicamento mais usado é o praziquantel, indicado por profissional de saúde na dose e no esquema corretos. Mesmo depois de tratar, pode ser necessário repetir exames para confirmar que a infecção foi resolvida e avaliar se há danos que precisem de acompanhamento.
Nos casos avançados (como “barriga d’água”, sangramentos e problemas no fígado), o tratamento pode envolver não só o remédio contra o parasita, mas também controle das complicações, às vezes com avaliação especializada.
Prevenção prática para o dia a dia (especialmente no verão)
A prevenção da doença é, ao mesmo tempo, individual e coletiva:
O que você pode fazer agora?
- Evite nadar, pescar ou atravessar águas doces paradas ou de locais sem saneamento.
- Em viagens, prefira locais com orientação sanitária e infraestrutura.
- Se precisar entrar em água doce por trabalho, use proteção (botas, luvas, waders) quando possível.
O que protege a comunidade?
- Coleta e tratamento de esgoto e água.
- Ações de vigilância, controle e tratamento em áreas de risco.
E um recado direto: se uma região é conhecida por casos, o risco não é “místico” nem “azar” — ele é previsível e pode ser reduzido com informação, cuidado e políticas de saneamento.

