Ansiedade tem cura? Entenda os sintomas, causas e como prevenir

Silhueta de uma pessoa com a cabeça baixa, cercada por papéis amassados, representando ansiedade, excesso de pensamentos e sobrecarga mental.

Ansiedade: causas, sintomas, tratamento e cuidados

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A ansiedade faz parte da vida; todos nós já sentimos nervosismo, ansiedade, preocupação antes de uma prova, entrevista ou mudança importante em nossas vidas. Isso acontece porque a ansiedade é uma capacidade humana relacionada a lidar com o futuro, com o porvir. Nesse sentido, a ansiedade do dia a dia está sendo funcional. No entanto, quando o medo e a preocupação se tornam constantes, intensos e difíceis de controlar, é sinal de que algo pode estar além do esperado, indicando que a ansiedade passou a funcionar de forma disfuncional.  

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com a maior taxa de transtornos de ansiedade do mundo, afetando cerca de 9,3% da população. Esse dado reforça a importância do janeiro branco, campanha dedicada à conscientização sobre saúde mental e prevenção de doenças emocionais. Entenda agora mais detalhes da condição.  

O que é ansiedade?

A ansiedade é uma reação natural do corpo diante de situações de perigo ou desafio. Ela prepara o organismo para agir: o coração acelera, a respiração muda e a atenção aumenta. 

No filme “Divertidamente” (2015), vemos que a mente funciona como uma central de controle, onde diferentes emoções tentam, cada uma à sua maneira, proteger a pessoa e ajudá-la a lidar com o mundo. A ansiedade pode ser pensada como uma emoção que vive sempre em estado de alerta, antecipando perigos e cenários futuros, como se estivesse constantemente apertando botões para evitar que algo dê errado.  

Assim como no filme, o problema não é a existência dessa emoção — afinal, ela tem uma função adaptativa —, mas quando ela assume o controle da sala de comando e passa a dominar todas as decisões. Nesse momento, o excesso de preocupação e antecipação acaba gerando sofrimento, mostrando que o equilíbrio emocional depende não de silenciar a ansiedade, mas de colocá-la em diálogo com as outras emoções. 

Porém, quando essa resposta ocorre sem motivo claro ou de forma desproporcional, pode evoluir para um transtorno de ansiedade, uma condição que causa sofrimento e interfere nas atividades diárias. Nessa situação, é como se a ansiedade passasse a comandar a sala de controle o tempo todo, impedindo que outras emoções participem das decisões, gerando excesso de preocupação, medo constante e sensação de perda de controle. 

Sintomas: o corpo e a mente em alerta

Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, mas costumam envolver aspectos físicos, emocionais e comportamentais. 

  • Físicos: coração acelerado, falta de ar, tensão muscular, sudorese, tremores, tonturas e desconforto abdominal.
  • Emocionais: sensação constante de medo, irritabilidade, angústia e preocupação excessiva.
  • Cognitivos e comportamentais: dificuldade de concentração, pensamento acelerado e tendência a evitar situações que causam desconforto.

Essas manifestações, quando frequentes, prejudicam o desempenho no trabalho, nos estudos e nas relações pessoais. 

Causas da ansiedade: por que ela aparece?

O transtorno de ansiedade surge da combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais. 

  • Genética: histórico familiar pode aumentar a predisposição.
  • Ambiente: situações de estresse contínuo, traumas e sobrecarga emocional.
  • Estilo de vida: sono irregular, consumo excessivo de cafeína e falta de atividade física também contribuem.
  • Outras condições médicas: alterações hormonais (como tireoide), doenças cardíacas e até uso de certos medicamentos podem desencadear sintomas semelhantes.

Níveis e tipos de transtorno de ansiedade

Existem diferentes níveis e tipos do transtorno, que vão desde formas leves até quadros graves: 

  • Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG): preocupação constante e desproporcional com situações do dia a dia, acompanhada de tensão e dificuldade de relaxar.
  • Transtorno do Pânico: crises súbitas de medo intenso, com sintomas físicos como falta de ar e sensação de desmaio.
  • Fobias: medo exagerado e irracional de objetos ou situações específicas, como altura, voar ou falar em público.
  • Transtorno de Ansiedade Social: medo intenso de ser julgado em situações sociais.
  • Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT): ocorre após vivenciar ou presenciar eventos traumáticos.

Tratamentos

O tratamento depende do tipo e da gravidade do transtorno. As abordagens mais eficazes envolvem psicoterapia, mudanças de hábitos e, em alguns casos, uso de medicamentos que devem ser indicados por um psiquiatra. 

  • Psicoterapia: a terapia cognitivo-comportamental (TCC) é a mais indicada. Ela ajuda a pessoa a identificar e modificar padrões de pensamento que alimentam a ansiedade.
  • Estilo de vida: prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, boa higiene do sono e redução do consumo de cafeína são aliados importantes.
  • Medicamentos: em casos moderados a graves, o médico pode prescrever antidepressivos específicos (como os inibidores seletivos de recaptação de serotonina – ISRS), sempre sob acompanhamento profissional. Benzodiazepínicos, por exemplo, são reservados para uso breve e controlado devido ao risco de dependência.

Como prevenir e cuidar da saúde mental

A prevenção envolve autoconhecimento e rotina equilibrada. Algumas atitudes ajudam a reduzir o risco e a intensidade dos sintomas: 

  • Praticar exercícios físicos regularmente;
  • Manter horários de sono consistentes;
  • Reduzir o consumo de álcool, café e nicotina;
  • Estabelecer pausas durante o trabalho;
  • Buscar apoio emocional com amigos, familiares ou profissionais de saúde.

Plataformas como a Clique Farma oferecem ferramentas que podem ajudar nesse processo: o Agendar Consulta facilita o contato com especialistas em saúde mental, e o Comparador de Preços ajuda a encontrar medicamentos com melhor custo-benefício, quando prescritos por um profissional. 

Reconhecer os sinais de ansiedade é um passo importante para cuidar da própria saúde mental. Se você identificar sintomas persistentes, que causem sofrimento ou atrapalhem sua rotina, procure ajuda psicológica e psiquiátrica. O acompanhamento com profissionais qualificados é essencial para compreender o que está acontecendo e encontrar o melhor caminho para o equilíbrio emocional. 

Se estiver em crise ou precisando conversar, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), serviço gratuito e confidencial disponível 24 horas por dia. Basta ligar para 188 ou acessar www.cvv.org.br para receber apoio emocional.

O Janeiro Branco nos convida a refletir sobre a saúde mental como um todo. Além da ansiedade, existem outros temas fundamentais que merecem atenção, como a depressão, o TDAH e a regulação emocional. Explore também esses conteúdos e amplie seu olhar sobre o cuidado emocional. 

Ana Aragão: Psicóloga formada pela Universidade de Pernambuco (UPE) e especialista em Neuropsicologia. CRP 09/011722